Dando continuidade, após pouco mais de 4 meses quando escrevi a primeira parte desta série, venho novamente postar sobre o assunto. Não sei se fecharei aqui a idéia, mas ao longo destes 4 meses minha vida de freelancer mudou bastante graças a tão falada “crise mundial”.
Quando iniciei este assunto aqui no blog, eu estava numa situação financeira confortável para um freelancer, aliás bastante confortável. Porém, no decorrer de dezembro e do mês de janeiro as coisas mudaram bastante. O suficiente para que eu parasse para repensar alguns pontos de minha vida pessoal/profissional e também sobre a relação contratante/contratado quando o assunto é prestação de serviços.
Para os que ainda não sabem, trabalho com administração e gestão de redes. Sempre focado em infra-estrutura de T.I. Esta área é pouco conhecida e bastante carente em todo o Nordeste, devido a falta de grandes empresas e até mesmo de investimentos por parte das empresas locais em seu setor de T.I. E desde que essa recessão começou as empresas diminuiram ainda mais os investimentos em tecnologia da informação, reduzindo seus custos com equipamentos, serviços e até mesmo realizando cortes de funcionários.
Para mim não foi diferente. As empresas que mantinham contrato comigo, optaram por reduzir a carga horária, algumas outras optaram por me pagar apenas pelas horas trabalhadas (propondo também um custo baixo nas horas). O resultado final foi uma queda nas finanças em torno de 50% dentro de 1 mês. Isso me fez repensar muita coisa, a primeira coisa que repensei foi a forma como eu vinha mantendo meu networking, a segunda coisa que repensei foi a relação de importância de meu trabalho dentro das instituições na visão delas, a terceira coisa foi a forma como eu vinha gerindo minhas finanças e por último mas não menos importante (talvez a mais importante) como andava minha formação acadêmica.
Há um tempo eu não vinha tendo tempo de comparecer em eventos de software livre e até mesmo outros eventos da área de tecnologia, devido eu estar sempre “me matando para apagar os incêndios dos meus clientes”, acho que eu havia me transformado em um bombeiro. Esse fato fez com que eu ficasse um pouco afastado de meu networking, este que vinha apenas mantendo com algumas poucas conversas via internet ou quando por acaso encontrava os conhecidos em algum lugar. Isso na hora da crise fez muita falta. Pois eu estava desatualizado com os meus contatos, muitos deles haviam mudado de emprego, houve casos em que mudou até de profissão. O fato é que a grande maioria tinha uma imagem muito diferente de minha vida profissional. Acreditavam que eu tinha grande estabilidade.
Então, definitivamente aprendi a importância de se reciclar e manter o networking atualizado, manter também um bom ciclo de amizades profissionais e pessoais, procurando sempre manter o contato.
O segundo ponto, sobre a importância do meu trabalho dentro das instituições, cheguei a conclusão de que o nordeste está longe de ser um polo na área de infra estrutura de tecnologia. Quando fui buscar oportunidades na internet, os bons empregos e serviços para administradores de redes, estão sempre lá em baixo do mapa, no sul e sudeste. Aqui a profissão ainda não tem muita importância, as empresas preferem pagar (chorando) por um serviço e depois só chamar na hora do incêndio para apagar. O profissional de T.I. anda muito desvalorizado por aqui, porém isso não é geral, claro que toda regra tem suas exceções.
Um fato comum, é quando empresas cortam os nossos serviços alegando que não são necessários para a manutenção preventiva. Um grande erro na minha opnião. Dois clientes que optaram por reduzir minha carga horária viram o problema ocorrer na prática. A velha história da falta de manutenção que gera um prejuízo de tempo (e até mesmo financeiro) grande na hora da correção.
O terceiro ponto, a forma como estava gerindo minhas finanças. Esse sim foi um ponto crítico. Eu não estava fazendo capital de giro (e eu que sempre recomendo a todos que o faça…), estava reinvestindo 100% do que eu ganhava em pró de meu conforto, boa aparência, boas condições e ferramentas de trabalho. Resultado: na hora em que “a casa caiu” as finanças andavam bem apertadas, o que me colocou contra a parede e me fez cortar custos até de onde não tinha como. Foi um golpe duro, confesso que até agora ainda não estou 100%, mas digamos que eu já estou 65%.
De ontem em diante, aprendi a guardar, ter paciência e só investir quando tiver condições reais de manter prevendo possíveis problemas financeiros.
O último ponto: Minha formação acadêmica que anda parada. Preciso retomar minha faculdade, pois não adianta apenas viver de apagar incêndios. Uma hora vou precisar de estabilidade e uma boa formação me ajudará a conseguir isto. Estou falando de retomar a faculdade na área de tecnologia mesmo. Pretendo fazer um curso superior de gestão de tecnologia da informação. Este curso é novo e visa formar um profissional com visão empreendedora e que entenda de tecnologia, mas focado na gestão do negócio.
Percebi isso nos anuncios de trabalho na internet, muitas empresas hoje não querem mais prestadores de serviços e além de exigir bastante conhecimento na hora de contratar, ter um diploma está cada vez mais se tornando um item de necessidade (até mesmo para concursos).
Bom, quanto aos clientes que propuseram redução de horas e financeira, bom estes eu propus que me ligassem apenas quando tivessem problemas. Prefiro que me paguem para apagar um incêndio (sei avaliar o custo beneficio para eles
), do que ficar recebendo um valor abaixo do cobrado pelo mercado (ajudando assim a prostituição do mercado), e ter que estar sempre dando satisfação ou recebendo ligações para resolver problemas bobos me fazendo perder muito tempo e ser subutilizado.
Finalmente, a vida de freelancer não é fácil! Requer muito malabarismo, paciência, inteligência, visão empreendedora e muita diplomacia. E como sempre, recomendo a todos que valorizem o seu trabalho, pois cada um de nós sabemos o quanto foi custoso adquirir o conhecimento a prática e a experiência em nossa área de atuação.
Se vou desistir da estrada? Certamente não… mas vou buscar cada vez mais estabilidade.